EDITORIAL
A Fase Brasileira da API: Revista e Congresso


Colegas infectologistas do norte ao sul das Américas, estamos na fase brasileira da Revista Panamericana de Infectología, sendo esta a nossa segunda edição. Repassando os trabalhos publicados na edição anterior e os que estão sendo aqui publicados, percebemos que estamos obtendo sucesso. Os artigos vêm de todos os cantos, de Cuba, Venezuela, Uruguai e também de nosso país. Deve surpreender a muitos, não a nós, a profícua produção cubana, que está liderando o número de publicações. País pequeno, 10 milhões de habitantes, momento socioeconômico adverso e, mesmo assim, os infectologistas cubanos dão um “show” de produtividade científica. A eles, parabéns!

Estamos perto – falta-nos cerca de seis meses – de nosso próximo congresso. A programação científica já está totalmente pronta e seu conteúdo é extremamente abrangente. Muito valorizados na programação são os temas referentes à infecção hospitalar e resistência bacteriana a antimicrobianos. Pelo empenho do presidente do Congresso e de sua Comissão Científica, o alvo pretendido será seguramente alcançado: sucesso absoluto. Esperamos que nossos colegas do lado de lá do velho Tratado de Tordesilhas estejam se “aquecendo” para participar desse Congresso. Vocês terão, além da atualização científica, o prazer de vivenciar a pujança da cidade de São Paulo, que cresce vertiginosamente, para cima e para os lados. Ainda mais, estarão próximos a locais turísticos que certamente os encantarão: Santos, a 70 quilômetros, Rio de Janeiro, a 400 e, a 1.000, as maravilhosas cataratas de Foz do Iguaçu.

Voltando ao trabalho, nesta edição são apresentados temas bem variados: um, abrangendo estudo sobre o valor da profilaxia da tuberculose em local fechado (hospital); outro, sobre o grave problema que enfrentamos, o das infecções causadas por cateteres centrais em pacientes hemodialisados e, conseqüentemente, a eles expostos permanentemente. Uma análise clínica da enorme experiência cubana sobre dengue, que já ultrapassa duas décadas, com destaque para dengue hemorrágica, é a continuação de trabalho anterior, essencialmente epidemiológico. Anaeróbios, sua participação nas infecções e seu comportamento perante os antimicrobianos é a colaboração que nos manda a Venezuela. Por último, um trabalho oriundo de São José do Rio Preto, uma bela cidade do interior do Estado de São Paulo, nos apresenta uma avaliação do valor de protocolos para a obtenção de DNA genômico bacteriano.

Queremos também deixar marcado o esforço de nosso Editor-Chefe, Sérgio Cimerman, em democratizar nossa Revista, deixando seu conteúdo acessível pela internet e com acesso gratuito.

Por fim, desejamos que obtenham um bom proveito desta edição e que ela continue servindo de estímulo a todos para continuarem a nos brindar com seus trabalhos científicos e, ainda, que mantenha vivo o interesse em virem participar do Congresso e conhecer ou retornar a nosso país.



Hélio Vasconcellos Lopes
Professor Titular de Infectologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC - Santo André.
Chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Heliópolis - São Paulo.