PUNTO DE VISTA / PONTO DE VISTA

O papel das novas fluoroquinolonas
na terapia antibiótica

The role of new fluoroquinolones in the
antimicrobial therapy

Hélio Vasconcellos Lopes*


* Chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Heliópolis. Chefe da Enfermaria de Doenças Infecciosas do Hospital Mário Covas. Professor Titular da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC.


Rev Panam Infectol 2004;6(4):18-20.




Recibido en 29/11/2004.
Aceptado para publicación en 10/12/2004.
Introdução
A classe das quinolonas, iniciada em 1962, por Lepper, e que permaneceu latente por mais de duas décadas, exceção feita às quinolonas urinárias de primeira geração – ácido pipemídico e ácido oxolínico – e de segunda, norfloxacino, teve um impulso muito grande a partir da introdução de ciprofloxacino, em fins da década de 1980, primeira quinolona disponível para uso sistêmico, em virtude de seu aperfeiçoamento farmacocinético, além da ampliação de seu espectro de ação.

O novo grande impulso se deu em 1997, com a introdução de levofloxacino, a primeira quinolona considerada de terceira geração e que, além das melhorias previamente obtidas com ciprofloxacino, ainda trazia em sua bagagem uma elevada atividade antipneumocócica, que a colocou como droga de escolha ou alternativa terapêutica para as infecções dos tratos respiratórios alto e baixo em diversas situações.

As novas fluoroquinolonas
Novamente o progresso se manifesta com a descoberta e disponibilidade de gatifloxacino, moxifloxacino e, já disponível nos EUA (mas ainda não no Brasil), de gemifloxacino (tabela 1).



Gemifloxacino foi aprovado pelo FDA em abril de 2003. É apresentado sob a forma de gemifloxacino mesilato e está disponível nos EUA com o nome fantasia Factive®. Esta quinolona mostrou, nos diversos estudos controlados fase III, eficácia situada entre 87,6 e 94,0%. A duração habitual de tratamento recomendada é de 7 dias, podendo-se prolongar para até 14 nos casos em que microrganismos atípicos estejam potencialmente implicados. Dentre os efeitos adversos, habitualmente comuns a todos os membros da classe das quinolonas, um deles sobressai com o uso de gemifloxacino e está sendo motivo de atenção: a ocorrência de rash cutâneo, que se eleva significativamente com o prolongamento do tratamento (de 7 para 10 e para 14 dias) em mulheres com idade abaixo de 40 anos.

Os dados mais importantes a serem considerados na tabela 2 são as relações C. máx/MIC90 e AUC/MIC90. Os valores obtidos por essas relações são os dois melhores parâmetros para correlacionarem-se com a eficácia clínica. Valores acima de 10 para a primeira relação e acima de 100 para a segunda são considerados excelentes indicadores de cura clínica e microbiológica no tratamento de infecções causadas por cocos Gram-positivos.



Outro dado considerado nos últimos anos de extrema importância é o MIC90 para o Streptococcus pneumoniae, o pneumococo. A tabela 2 mostra valores marginais para ciprofloxacino (2,0 µg/ml), o que contra-indica sua prescrição nas infecções dos tratos respiratórios, onde o pneumococo é o principal implicado. Já os valores referidos para as demais quinolonas são considerados seguros para o tratamento dessas infecções. No entanto, nos últimos anos, com o crescimento da resistência por parte do pneumococo, cerca de 1% dos isolados clínicos de pneumococos estão se mostrando resistentes ao levofloxacino. Esta pequena fração não sobrevive ao emprego de gati, moxi e gemifloxacino.

Indicações clínicas aprovadas pelo FDA para estas novas fluoroquinolonas



Indicações potenciais adicionais
Ainda sob análise e, conseqüentemente, não aprovadas até o momento, estão sendo avaliadas as seguintes indicações - possíveis ou não - para estas novas fluoroquinolonas:

- pacientes pediátricos
- meningite
- infecções intra-abdominais
- infecções em ossos e em articulações
- uso destas quinolonas em infecções estafilocócicas

Conclusão
Em resumo, gati, moxi e gemifloxacino apresentam, em comparação com ciprofloxacino e com levofloxacino, as seguintes vantagens básicas:

1) Superior atividade in vitro contra gérmens Gram-positivos

2) Maior atividade contra pneumococo, incluindo cepas resistentes a levofloxacino

3) Vantagens farmacocinéticas e farmacodinâmicas.

Referencias
1. Saravolatz LD & Legget J. Gatifloxacin, gemifloxacin, and moxifloxacin: the role of 3 newer fluoroquinolones. Clin Infect Dis 2003;37:1210-1215.
2. Mandell LA, Iannini PB, Tillotson GS. Respiratory fluoroquinolones: Differences In the details. Clin Infect Dis 2004;38:1331-1332.
3. Anti-Infective Drugs Advisory Committee. Factive (gemifloxacin). US Food and Drug Administration briefing document. 4 March 2003. Available at: http://www.fda.gov/ohrms/dockets/ax/acmenu.
4. Brueggmann AB et al. Fluoroquinolone resistance in Streptococcus pneumoniae in United States since 1994-1995. Antimicr Ag Chemother, March 2003, vol. 46(3):680-688.



Correspondência:
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