Os últimos anos têm sido marcados por uma evolução importante na abordagem dos pacientes com doenças infecciosas. O aparecimento de novos métodos diagnósticos direcionou e vem direcionando nossos especialistas para a terapêutica mais adequada.
Exemplifico com o que vi no manejo do indivíduo infectado pelo HIV. Desde a compreensão do melhor momento para o início da terapêutica, utilizando como parâmetro o número dos linfócitos CD4. Também o surgimento da carga viral, que possibilitou ao médico entender melhor a resposta virológica. Com o desenvolvimento de técnicas genéticas apareceram os testes de resistência e o infectologista passa a receber informações relevantes para a escolha dos medicamentos naqueles casos em que o tratamento falhou. Exames como genotipagem e fenotipagem passaram a fazer parte da rotina do médico, sem esquecer que há muito pouco tempo muitos cientistas duvidavam da sua real utilidade. Além disso, o aparecimento de inúmeros medicamentos impõe ao médico a necessidade de um conhecimento cada vez maior a respeito de farmacocinética, interações medicamentosas e efeitos colaterais. O mesmo vem acontecendo na condução das hepatites virais e também nas infecções fúngicas e bacterianas, entre outras.
É neste panorama que se encontra o infectologista, um especialista, na minha opinião o mais generalista dos especialistas, já que necessita de conhecimento das diversas áreas da medicina para exercer adequadamente o seu trabalho.
Entendo que com este incomensurável e crescente volume de informações, que emerge do trabalho da ciência médica, é indispensável atualmente introduzir a educação permanente no cotidiano do infectologista.
Fundamental é favorecer o domínio de técnicas para o diagnóstico e tratamento, implementando o conhecimento dos novos métodos e dos novos medicamentos, com ganho para o paciente e para a sociedade.
O desafio atual é o de criar condições para que o médico possa receber informações continuamente, dados importantes que vão fazer a diferença no seu trabalho, mudando a história natural da doença.
Colocar como prioridade o uso de instrumentos de comunicação e modelos didáticos eficientes que possam contemplar o infectologista em todos os pontos geográficos, nas grandes e pequenas cidades e principalmente nas distantes dos grandes centros, onde possivelmente o acesso seja menor.
Criar espaços para que aconteçam novas atividades e relações, incorporações de práticas inovadoras no ensino e na aprendizagem.
Presencial e a distância. Ser descentralizadora e inovadora. Não ter receio de criar sistemas de capacitação permanente, articulada e integrada. Formar multiplicadores.
Melhorar a distribuição das oportunidades de treinamento. Priorizar os ambientes mais críticos. Reorganizar os ambientes de trabalho, redesenhando os cenários e provocando mudanças.
A educação permanente deve ser uma prática institucionalizada, enfocando os problemas de saúde, deve trazer a transformação das práticas de forma contínua e centrada na resolução dos problemas.
Terá valor e será factível quando a organização envolve a todos. Neste momento é imperativo que o trabalho seja feito em conjunto.
As universidades, as instituições governamentais e principalmente nossas sociedades médicas, pilares importantes, os quais devem sustentar a educação médica permanente, na vanguarda, avançando, cedendo seus mais experientes profissionais para o trabalho educacional tão desejado e entregando à sociedade profissionais capazes de realizar trabalhos grandiosos.
Entendo que as atualizações científicas e tecnológicas realizadas de forma ética e permanente são ferramentas indispensáveis para se obter qualidade e aperfeiçoamento profissional. |